ATELIER MARIA BRINCA À SOMBRA

Contextualizando o atelier

Um pouco de história

O atelier Maria Brinca à Sombra abriu portas em Marvila no dia 30 de Setembro de 2017, num pequeno espaço dentro de um complexo de armazéns. Mas o espaço tornou-se pequeno para tamanha ambição (leia-se: incontrolável impulso para recolher materiais de toda a forma e feitio).

Material: é tudo aquilo com que se faz algo, que serve para produzir, para inventar, para construir.

Francesco Tonucci, 1997

Em Julho de 2019 mudámos para o Lumiar.

Vários planos depois…

O que o torna único

Começou por ser um espaço para receber, ao fim-de-semana, crianças até aos 5 anos e respectivas famílias e tinha o objectivo de:

  • proporcionar experiências de exploração e descoberta através da preparação do ambiente com materiais por vezes pouco convencionais, dispostos intencionalmente numa instalação de brincadeira livre;
  • observar as relações e interacções entre as crianças e os materiais.

Destes breves encontros ao fim-de-semana ficava sempre a vontade de fazer algo com mais continuidade. Faltava a oportunidade de usar o que se observava para desenhar novas experiências. Era um começar sempre do zero, porque as crianças não eram as mesmas de uma sessão para a outra (salvo algumas excepções esporádicas).

Assim, quando nos mudámos para o Lumiar passámos a receber com regularidade crianças uma ou duas vezes por semana.

Como resultado foi necessário repensar o sistema de observação para um sistema de observar – reflectir – projectar. Comecei então o longo caminho de aprofundamento sobre os processos usados nas escolas municipais de Reggio Emilia (a reconhecida Reggio Emilia Approach®) e sobre o Cycle of Inquiry (COI). Duas bússolas para orientar o trabalho. O objectivo é conseguir ir ao encontro dos interesses das crianças e das suas experiências do quotidiano e não naquilo que nós, adultos, achamos ser o interesse e que transformamos em tema. E o que daqui resultar torná-lo visível através de documentação pedagógica.

Através deste trabalho, ou deste sistema, comecei a olhar para os materiais com outros olhos: não estavam simplesmente à disposição da criança para esta os transformar, eles também eram protagonistas, era um diálogo e não um monólogo. Então, como, e em que medida é que os materiais influenciam o pensamento?

Em suma, o atelier transformou-se assim num espaço de investigação sobre processos, sobre materiais, sobre ideias e teorias, em contínuo.

Fiz uma tradução deste Ciclo de Pesquisa (Cycle of Inquiry) e que costuma ser entregue no Grupo de Estudos: Crianças, Materiais e Aprendizagens (feito em colaboração com o Kalambaka). Se quiserem fazer download deste resumo basta clicar no botão:

Porquê este nome

Maria Brinca à Sombra era a alcunha de uma amiga de família muito querida do tempo da minha avó paterna. Pelas histórias que me contam, e sempre que penso nela, imagino-a a rodopiar no quintal dos meus avós de braços abertos a espalhar alegria.

Quando a conheci vestia preto dos pés à cabeça, os anos tinham-lhe dobrado a espinha e empenado as articulações. Mas quando olhava para mim abria-se um sorriso enorme, contagiante e meigo, os olhos brilhavam. E eu voltava a pô-la no quintal onde rodopiávamos as duas até cairmos no chão às gargalhadas.

Esta é uma homenagem que lhe faço. 

Sobre mim

O meu nome é Sara e sou licenciada em Tecnologia e Artes Gráficas pelo Politécnico de Tomar. Trabalhei em design e comunicação gráfica, em produção fotográfica e com museus ao longo de 17 anos.

Recentemente terminei uma pós–graduação em Estratégias de Investigação na Sala de Aula numa Perspectiva Socio-Constructivista, pela Universidad Antonio Ruiz de Montoya. O projecto final teve como objectivo, através de uma investigação-ação em sala de aula, tornar visíveis as estratégias cognitivas de construção do pensamento crítico nas crianças. Interessou-me perceber como o diálogo entre conceitos, teorias e materiais lhes permitem construir novas estruturas de conhecimento. Uma parte importante deste projecto consistiu em propor uma reflexão sobre as práticas pedagógicas no pré-escolar, de forma a devolvermos às crianças uma imagem forte de si mesmas, como criadoras e co-construtoras de cultura e conhecimento.

Também colaboro em algumas acções de formação do projecto Kalambaka – Reggio Emilia Portugal onde, mais do que ensinar, se partilham experiências, reflexões e formas de fazer que muito têm contribuído para este projecto.

Sintam-se à vontade para dizer um olá aqui nos comentários 🙂

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